quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Ixi, é o que mais tem!


       Apesar do tédio horroroso que acomete qualquer um que assiste as 45 intermináveis horas de aulas teóricas de direção, conheci alguém que parecia ser imune ao tédio. Nessas 45 horas de mutilação mental, uma louca, daquelas metidas a nerd, conseguiu não só participar de todas as aulas, como ter mais estórias para contar que eu (sim isso foi possível). E por mais que todos estivessem saturados (das aulas e das estórias) a louca simplesmente não se cansava de contar seus casos sobre todos os assuntos possíveis.
       De defuntos a furos de sinais, para todos os assuntos ela tinha uma epopéia para contar. E o melhor de tudo é que todas as estórias começavam com a célebre frase: “Ixi, é o que mais tem”.
      “Existem pedestres que não olham para os lados antes de atravessar...” (Ixi, é o que mais tem! A minha irmã...). “Ontem um caminhão atropelou 2 pessoas...” (Ixi, é o que mais tem! O meu cunhado...). “Em caso de capotamento...” (Ixi, é o que mais tem! Uma vez...). “Existem alguns motoristas infratores...” (Ixi, é o que mais tem! Meu vizinho...). “Ao fazer uma curva você deve...” (Ixi...). “Sempre que você...” (Ixi...). “Às vezes...” (Ixi...). “Vocês nunca” (Ixi...). “Quand...” (Ixi !!!). Ixi, Ixi, Ixi, ...
       Com a promessa de que seriamos libertos mais cedo caso o professor conseguisse terminar a matéria, cada “ixi” era uma facada na esperança de sairmos mais cedo daquele lugar. Se pelo menos ela fosse breve ao contar seus causos. Mas não, prolixidade para ela deve ser algo interessante.
       “Galera, agora para terminar vamos relembrar direção defensiva. Lembrando que vocês devem sempre dirigir com as duas mãos no volante, mas tem motorista que não respeita isso. (Ixi professor, é o que mais tem...).
        Nesse momento alguém no fundo da sala deu um grito liberando toda a raiva reprimida por muitas aulas. CALA BOCA, EU QUERO IR EMBORA PORRA!
                                                                                 Aplausos, assovios, gargalhadas, gritos de aleluia e fim.  

 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Essa tal Dora ... BANDIDA!

            Desde a infância cultivo alguns pequenos prazeres, como o de me deleitar saboreando um belo cacho de uvas assistindo TV. Hoje as uvas não me proporcionam tanto prazer quanto na infância, apesar de gostar muito delas. Mas é que quando eu era criança, melhor que comer um cacho de uvas, só um cacho de uvas assistindo “Punk a levada da breca”. Na infância uvas eram a minha paixão e também minha fraqueza. E algumas pessoas sabiam disso.          
           Sem falsas modéstias, eu fui um bebê muito gostoso, igual aqueles bebês de propaganda de fralda. Gorda, risonha e faladeira (parece que não mudou muito, mas...) essa era eu. E as pessoas do meu convívio pessoal adoravam me pedir beijos, abraços ou favores, como o de buscar copos d’água. O fato é que eu nunca fui muito obediente e por inúmeras vezes disse não para esses pedidos. Mas todos sabiam da minha fraqueza, e por esse motivo todos me ofereciam uma uva em troca dos favores.
         Mas uma pessoa em especial me marcou com esse escambo, a Doralice. Na época era uma linda menina, hoje é linda mulher. Mas beleza não é tudo, e a Dora é linda. Linda, porém pistoleira. Mais falsa que os cabelos do Silvio Santos, ela roubava uvas de criancinhas, roubava não, ela prometia e não pagava.
         Dora abusou de minha infantil inocência. Foram tantos beijos e abraços em busca de uma uva que eu nunca tive a sorte de ter, uma mísera uva, nem uma semente eu ganhei. Essa bandida nunca me pagou, mas eu tenho a esperança de que um dia uma “energia gracinha” vai invadir o coração dessa “amiga” e aí ela irá me pagar e viver feliz e sem culpa para sempre. Até porque eu me recuso a acreditar que ela viva sem culpa depois de ter enganado uma criança por tantas vezes e tanto tempo! Mas apesar de tudo isso, ainda nutro um enorme carinho por ela, MAS NÃO DEIXEI DE QUERER AS UVAS QUE SÃO MINHAS POR DIREITO PORRA!
Enganadora de criancinhas


Criança inocente

  P.S.: Dora, se vc quiser trocar as uvas por garrafas de vinho eu topo!

domingo, 29 de agosto de 2010

Saudades do Pe. Pedro

Quando criança odiava lavar os cabelos.
A culpa era da mãe, suas unhas machucavam o couro cabeludo da menina.
Um dia, ao perguntar ao Pe. Pedro porque ele não tinha cabelos,
Recebeu a chocante notícia:
Os ratos comeram o cabelo do querido Pe. Pedro na calada da noite;
Ele não gostava de lavar os cabelos!
O susto e o choque eram visíveis nos olhos da menina.
Ao chegar em casa, a menina olhou para a mãe com um olhar de quem enfrenta seu medo.
E então disse:
­“Mamãe, vamos lavar os cabelos?”


P.S.: Esse texto eu dedico ao grande escultor, monge e também o melhor ser humano que eu já tive o prazer e a honra de conhecer: o meu grande amigo de infância Pe. Pedro, que há algum tempo foi morar com Deus, deixando muita saudade aos que o conheceram. Deixando também sua obra espalhada pelo mundo todo e, acima de tudo deixando sua sabedoria, e exemplo a todos! Que ele esteja feliz em sua plenitude ao lado do Pai.

domingo, 22 de agosto de 2010

The dark side of the cake


           


            Que eu a Grizzo e o Lucas somos um tanto quanto inúteis todo mundo sabe, e quando juntos essa inutilidade se transforma em retardação. Mas da última vez que eu e a Grizzo nos juntamos (o Lucas não foi porque desde que chegou da Europa anda meio fresco) nossa inutilidade se transformou em genialidade culinaria!
             A intensão era assistir Frida, mas não tinha comida em casa e resolvemos fazer um bolo de cenoura. Tirei da gaveta o milenar livro de receitas da minha mãe e vi que faltava uma cenoura, uma misera cenoura. Fomos então ao supermercado comprar a bendita cenoura faltosa. Porém, tinha um granulado no meio do caminho, no meio do caminho tinha um granulado, e não era qualquer granulado não, era daqueles coloridos  e do lado deles estavam aquelas bolinhas prateadas de confeitar bolos e do lado das bolinhas a anilina azul.
             Foi então que a mentezinha do mal da Grizzo teve a brilhante idéia de fazer um bolo de cenoura azul, com cobertura de cocholate decorado igual ao famoso album "The dark side of the moon".
             O único problema é que nós, como grandes mentes, faltamos aquelas aulas de artes em que a tia ensinou a misturar as cores. E por ironia do destino o bolo de cenoura é meio amarelado ou alaranjado, sei lá, e por burrice nossa o bolo que deveria ser azul ficou verde. Foda-se, a intensão principal era a decoração do bolo.
           Para provar que somos inteligentes, compramos granulados coloridos para fazer o arco iris ... O problema é q eles estavam misturados. Fazer o que né?! Fomos assistir Frida separando os granulados por cores. A Grizzo disse que eu pareço um pato quando separo granulados porque eu deixo tudo cair. Então, aprendi que patos ao separatem granulados deixam tudo cair.
           Me bateu uma saudade das terças em que o triângulo (eu, a Grizzo e o Lucas) se juntava para almoçar e depois nós passávamos a tarde falando sobre tudo, música, vida, política, idiotices, como diria minha avó: " conversando potocas"... Nessa época uma parte e nós ainda iria mudar o mundo. E apesar de hoje sermos outros nossa amizade continua tão gostosa quanto quando nós nos conhecemos e tudo era novidade.
           Nostalgias à parte; passamos um bom tempo separando todas as cores do granulado. Desistimos quase no final. Já tinha o bastante. A hora da decoração foi tudo, até ignoramos a Frida ( eu sei, eu sei, isso não se faz com a Frida, mas quando formos famosas confeiteiras de bolos faremos uma decoração especial para ela). Cavei um buraco na cobertura de chocolate em forma de triângulo e colocamos as bolinhas prateadas e depois fizemos o feixe de luz branca e depois os  feixes coloridos. TCHÃRÃÃÃÃ! Estava pronta a nossa obra de arte. Nos sentimos melhor que a Julie Child...  Não, nem tanto, passei dos limites, faz o seguinte: esquece essa última frase.
           No final tudo deu certo, ninguém se queimou, cortou, perdeu membros, blá, blá, blá. E o nosso lanche foi regado a maravilhosos, e úteis, conselhos da minha mãe sobre assuntos importantes, do tipo: "como deixar os peitos em cima depois dos 40 sem silicone". E no lanche das meninas ( a Lorena também estava) todas comeram do bolo verde de cenoura, que diga-se de passagem estava uma delícia, escutando a voz da experiencia!