Quando criança odiava lavar os cabelos.
A culpa era da mãe, suas unhas machucavam o couro cabeludo da menina.
Um dia, ao perguntar ao Pe. Pedro porque ele não tinha cabelos,
Recebeu a chocante notícia:
Os ratos comeram o cabelo do querido Pe. Pedro na calada da noite;
Ele não gostava de lavar os cabelos!
O susto e o choque eram visíveis nos olhos da menina.
Ao chegar em casa, a menina olhou para a mãe com um olhar de quem enfrenta seu medo.
E então disse:
“Mamãe, vamos lavar os cabelos?”
P.S.: Esse texto eu dedico ao grande escultor, monge e também o melhor ser humano que eu já tive o prazer e a honra de conhecer: o meu grande amigo de infância Pe. Pedro, que há algum tempo foi morar com Deus, deixando muita saudade aos que o conheceram. Deixando também sua obra espalhada pelo mundo todo e, acima de tudo deixando sua sabedoria, e exemplo a todos! Que ele esteja feliz em sua plenitude ao lado do Pai.
domingo, 29 de agosto de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
The dark side of the cake
Que eu a Grizzo e o Lucas somos um tanto quanto inúteis todo mundo sabe, e quando juntos essa inutilidade se transforma em retardação. Mas da última vez que eu e a Grizzo nos juntamos (o Lucas não foi porque desde que chegou da Europa anda meio fresco) nossa inutilidade se transformou em genialidade culinaria!
A intensão era assistir Frida, mas não tinha comida em casa e resolvemos fazer um bolo de cenoura. Tirei da gaveta o milenar livro de receitas da minha mãe e vi que faltava uma cenoura, uma misera cenoura. Fomos então ao supermercado comprar a bendita cenoura faltosa. Porém, tinha um granulado no meio do caminho, no meio do caminho tinha um granulado, e não era qualquer granulado não, era daqueles coloridos e do lado deles estavam aquelas bolinhas prateadas de confeitar bolos e do lado das bolinhas a anilina azul.
Foi então que a mentezinha do mal da Grizzo teve a brilhante idéia de fazer um bolo de cenoura azul, com cobertura de cocholate decorado igual ao famoso album "The dark side of the moon".
O único problema é que nós, como grandes mentes, faltamos aquelas aulas de artes em que a tia ensinou a misturar as cores. E por ironia do destino o bolo de cenoura é meio amarelado ou alaranjado, sei lá, e por burrice nossa o bolo que deveria ser azul ficou verde. Foda-se, a intensão principal era a decoração do bolo.
Para provar que somos inteligentes, compramos granulados coloridos para fazer o arco iris ... O problema é q eles estavam misturados. Fazer o que né?! Fomos assistir Frida separando os granulados por cores. A Grizzo disse que eu pareço um pato quando separo granulados porque eu deixo tudo cair. Então, aprendi que patos ao separatem granulados deixam tudo cair.
Me bateu uma saudade das terças em que o triângulo (eu, a Grizzo e o Lucas) se juntava para almoçar e depois nós passávamos a tarde falando sobre tudo, música, vida, política, idiotices, como diria minha avó: " conversando potocas"... Nessa época uma parte e nós ainda iria mudar o mundo. E apesar de hoje sermos outros nossa amizade continua tão gostosa quanto quando nós nos conhecemos e tudo era novidade.
Nostalgias à parte; passamos um bom tempo separando todas as cores do granulado. Desistimos quase no final. Já tinha o bastante. A hora da decoração foi tudo, até ignoramos a Frida ( eu sei, eu sei, isso não se faz com a Frida, mas quando formos famosas confeiteiras de bolos faremos uma decoração especial para ela). Cavei um buraco na cobertura de chocolate em forma de triângulo e colocamos as bolinhas prateadas e depois fizemos o feixe de luz branca e depois os feixes coloridos. TCHÃRÃÃÃÃ! Estava pronta a nossa obra de arte. Nos sentimos melhor que a Julie Child... Não, nem tanto, passei dos limites, faz o seguinte: esquece essa última frase.
No final tudo deu certo, ninguém se queimou, cortou, perdeu membros, blá, blá, blá. E o nosso lanche foi regado a maravilhosos, e úteis, conselhos da minha mãe sobre assuntos importantes, do tipo: "como deixar os peitos em cima depois dos 40 sem silicone". E no lanche das meninas ( a Lorena também estava) todas comeram do bolo verde de cenoura, que diga-se de passagem estava uma delícia, escutando a voz da experiencia!
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